O reino de Anor-Ithildor nasceu de uma aliança improvável: anões, elfos e altos-homens vindos do oeste de Midgard, unidos por interesses que a história raramente permite. Os altos-homens partiram rumo ao leste com o apoio dos elfos que deixavam Alfheim, e juntos lançaram as bases de um reino que sobreviveria séculos.
Chama Prateada foi erguida pelos anões exilados de Tharkûn Azgar, com o apoio dos homens do oeste e dos elfos de Alfheim. Posicionada a nordeste do continente, a cidade se assenta sobre uma das poucas regiões onde o mithril — escasso em toda Midgard — surge com relativa abundância. Foi esse metal precioso que fez prevalecer o interesse comum sobre as desavenças históricas entre as três raças.
No ano de 329 DG, Anor-Ithildor estava pronta. Representantes de cada povo formaram o conselho conhecido como O Tridente — e foi o empenho de Arnakhôr, "O Justo", que permitiu extrair o melhor de cada raça e manter a harmonia entre elas.
Balrog emergiu das profundezas das minas de Zarakhadûm, dizimando parte dos que ali trabalhavam naquele dia sombrio. Liderado por Arnakhôr, o Tridente reuniu cinquenta dos melhores guerreiros do reino, treinados e especializados por um ano inteiro a partir de escrituras élficas sobre o demônio, com a missão de deter a ameaça antes que mais vidas fossem perdidas.
Foi Adrathor, "Martelinho de Ouro", quem sugeriu criar pequenos broches para simbolizar a Ordem prestes a partir. Maeralya, após trinta e três anos dedicados ao ofício, teceu em cada broche um encantamento — palavras que os cinquenta guerreiros levariam consigo rumo ao abismo.
"Ennas leitho, na firn na bresto, a bregol mithrilden vorn a leithia, a maetha caras an síla i mae"
Em união, a angústia não restará, e a alma de mithril se torna leve e o bom ânimo virá para que o mal seja dominado.
Com os broches entregues a cada um dos cinquenta, Maeralya proferiu as palavras que os despediram para sempre:
"Galad, Faeril, a thaur vi gwanna"
Vá, Alma de Prata, e cumpra com a sua promessa.
Os cinquenta partiram para o abismo e não voltaram mais. Lutaram com ferocidade indomável e, apesar de sua bravura, foram derrotados — mas levaram Balrog consigo, livrando Anor-Ithildor do mal e estabelecendo a paz de Chama Prateada. Por dois séculos o reino manteve viva sua memória; depois, o clã foi esquecido, sussurrado apenas em murmúrios.
Mesmo nas sombras do esquecimento, a linhagem dos Faeril não se extinguiu por completo. Descendentes dispersos vagam por Midgard, carregando um orgulho brilhante como a prata do mithril — ainda que escurecido pelo desgaste do tempo — e guardando em segredo a memória de seus ancestrais.
Quando as trevas voltaram a ameaçar Midgard, Tolgarien, filho de Vaughan e descendente dos Homens do Oeste, partiu em busca daqueles que partilhavam da mesma vontade dos Faeril. Encontrou Estel, e juntos — movidos pela memória de seus ancestrais e pelo desejo de redenção — voltaram a enfrentar a corrupção, prontos para escrever um novo capítulo na história do clã.
A família Silverberg mantém viva a promessa: manter acesa a chama dos Faeril para as próximas gerações, na esperança de que o bom ânimo combata o mal sempre que ele surgir.
Os que hoje carregam adiante o nome e o juramento dos Faeril.



O que rege a Faeril não é uma lista de proibições — é o mesmo juramento gravado nos broches, aplicado ao dia a dia da guilda.
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